sexta-feira, 9 de julho de 2010

Editorial do Diário da Região - Candidata Blindada

Reproduzo aqui o editorial de hoje do Diário da Região:

O comportamento da presidenciável Dilma Rousseff (PT) em Rio Preto corrobora o discurso dos seus opositores, especialmente do PSDB, de que a petista foge do debate público. Nos dois dias em que permaneceu na cidade, entre quarta-feira à noite e quinta-feira de manhã, ela se recusou a atender a imprensa local e a apontar, por exemplo, quais são seus projetos - se é que os têm - para o interior paulista. Durante discurso para empresários e lideranças regionais em bufê de Rio Preto, a petista limitou-se a acionar a metralhadora giratória contra o governo do Estado, na tentativa de atingir o ex-governador e principal adversário José Serra (PSDB). Mas não foi permitida qualquer interpelação ao seu discurso, seja dos presentes ou da imprensa. Não é privilégio deste Diário a esquiva de Dilma. No domingo passado, ela se recusou a gravar um vídeo para o jornal O Globo no qual deveria dizer por que quer ser presidente do Brasil. No mês passado, a petista também não participou de sabatina feita pela Folha de S.Paulo com os presidenciáveis. A forma com que se porta Dilma revela o empenho dos seus assessores de blindá-la. A questão é saber de quem ou o do quê exatamente eles pretendem proteger a petista. Como sugestão, eles poderiam começar a apartar a candidata da sua própria equipe de campanha, que apresentou equivocadamente - segundo palavras de Dilma - um programa de governo “radical” ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O documento previa a tributação de grandes fortunas, fim da criminalização de movimentos sociais e maior controle sobre a mídia. Após a repercussão negativa, o PT alegou que foi mandando o programa errado e encaminhou outro.

Voltando à questão da blindagem, dá a impressão de que a candidata não quer ser exposta a questões incômodas. Ela parece disposta a seguir cegamente o script escrito por seus assessores. Neste roteiro fictício, ela não precisa dar satisfação de nada a ninguém e é eleita presidente no final - no mundo real, porém, a história pode ser outra. Ao fugir do debate público, Dilma presta um desserviço ao processo democrático, que só tem a ganhar com o confronto de ideias. Quando se nega a falar com a imprensa ela não está prejudicando este ou aquele veículo de comunicação: ela nega à opinião pública - leitores, telespectadores e ouvintes - o direito de conhecer seus planos e propostas para o País. Em Rio Preto, a candidata perdeu oportunidade de ouro para apresentar a verdadeira Dilma, dissociada da personagem montada à imagem e semelhança do presidente Lula. 
 

Comentário: E este é um partido que se diz guardião da democracia. 

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