terça-feira, 20 de julho de 2010

Segurança Frágil, Editorial do Diário da Região de hoje.

Reportagem publicada pelo Diário no último domingo expõe a fragilidade da segurança em prédios públicos e particulares de Rio Preto. Um policial militar à paisana, que foi autorizado pelo seu comandante a sair às ruas com a reportagem, percorreu 11 locais de grande concentração de pessoas com um revólver calibre 38 na cintura. Em nenhum momento o policial foi revistado ou obrigado a passar por um detector de metais. No Fórum, o policial armado se dirigiu até o segundo andar sem problema algum. Na entrada do prédio, há um portal detector de metal - só não se sabe qual é a sua função já que permanece desligado a maior parte do tempo. A falta de segurança no Fórum não é de agora: em 1983, um advogado armado entrou no prédio e matou com cinco tiros um comerciante. Hoje, esta é uma cena que, infelizmente, poderia voltar a se repetir. A mesma fragilidade foi verificada pela reportagem em outros prédios públicos, como a Prefeitura, onde ele subiu até o terceiro andar sem ser abordado por ninguém. Na Câmara, a mesma cena. Já no Hospital de Base (HB), o policial chegou sem qualquer percalço até o setor de raio X. Lá foi barrado pelo segurança não por estar armado, mas por não ter autorização para circular naquele local. A mesma facilidade foi encontrada na Cidade das Crianças, aeroporto, em shoppings, escola e biblioteca.

De acordo com o coronel da reserva da Polícia Militar em São Paulo e especialista em segurança pública, José Vicente da Silva Filho, os principais problemas não estão na possível falha de segurança em shoppings, escolas e parques, já que esses locais raramente são alvos de ações criminosas. Já prédios públicos como Prefeitura, Câmara, Fórum e hospitais - no caso, o HB - precisam sim de segurança muito mais eficiente que aquela mostrada na reportagem de domingo. É inadmissível permitir que um cidadão armado entre, sem qualquer entrave, no gabinete do prefeito, de um vereador ou na sala de um juiz. A fragilidade verificada pelo policial põe em risco não apenas as autoridades, mas os milhares de cidadãos e servidores que passam por esses locais todos os dias. Procurado para comentar as falhas na segurança de prédios públicos, o prefeito Valdomiro Lopes (PSB) - como já tem feito em todos os casos delicados - optou pelo silêncio. Valdomiro pode até não querer falar nada, mas não é possível que continue inerte diante de uma situação tão grave como a apontada pela reportagem. É dever dele, na condição de chefe do Executivo, zelar pela segurança de todos os que trabalham ou usufruem dos ambientes públicos. Segurança que, como foi mostrado, está bastante negligenciada.

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