domingo, 15 de agosto de 2010

PESQUISA E 'JÁ GANHOU' NÃO VENCEM ELEIÇÃO

 

 Este meu artigo é meio longo para um blog, mas creio que é necessário. Portanto, recomendo que leiam atentamente e debatam nos comentários.

É compreensível que muitos eleitores da oposição fiquem apreensivos e até mesmo desmotivados pelo bombardeamento de pesquisas e suas interpretações. Obviamente louvam-se naquilo que dizem os colunistas de política e oráculos do sortilégio dos números que são apresentados como um fato consumado.


Talvez como nunca antes na história do Brasil os jornalistas dos grandes veículos de comunicação nunca estiveram tão engajados num partido político. Acho que todos têm o direito de ter a sua opção política. Agora o que eu questiono é o fato de que os jornalistas e os próprios veículos tripudiam de forma acintosa e nunca vista sobre a candidatura de José Serra para em troca louvar Lula e o PT. Se o PT fosse um partido verdadeiramente democrático e, por via de regra, não atentasse contra a liberdade de imprensa, tudo bem.

Relevo inclusive o turbilhão de escândalos e falcatruas que eclodiu em cascata com o mensalão, ainda que esses sejam fatos que desabonam completamente o PT. Mas o que eu insisto é na questão democrática. Como podem jornalistas e seus veículos apoiarem um partido que tem em mira o "controle da mídia"? É uma indagação que não encontra sustentáculo na lógica mais simples.

Basta ler a Folha de São Paulo deste domingo. Todos os artigos poderiam perfeitamente ser destaque nos sites e publicações do PT.

Ainda que a maioria dos brasileiros não leia jornal e poucos utilizem internet num universo de quase 200 milhões de habitantes, o fato é que a direção da opinião pública é formada a partir dos grandes veículos de comunicação tradicionais e seus sites e blogs na internet.

Por outro lado, a campanha da oposição, ao que parece, contratou profissionais da grande imprensa para o seu setor de comunicação. Já disse aqui em outra oportunidade que, embora possam ser ótimos profissionais, não têm o traquejo de assessoria de imprensa e estão comprometidos no plano profissional. Passada a campanha desejarão voltar a ocupar seus espaços nos grandes veículos de comunicação. Naturalmente, jamais peitarão os colunistas e editores "companheiros" que dominam as redações dos órgãos de imprensa, porquanto precisarão deles para serem contratados no período pós-campanha. Jamais comprarão uma "briga" com essa gente e com os próprios veículos de comunicação.

O resultado dessa estupidez cometida pela campanha de José Serra se reflete no grosso do noticiário político em todas as mídias que, ao final das contas, forma a opinião dos eleitores dentro de uma perspectiva do "já ganhou".

Leigos, na maioria das vezes, não são capazes de ler um jornal como um profissional do jornalismo e não percebem a manipulação da informação. Não estou dizendo nenhuma novidade e muito menos uma inverdade. Amaparo a minha assertiva no noticiário político. Podem compulsar os jornais à vontade e não encontrarão jamais uma matéria, umazinha apenas, que não trate com deboche a oposição e, particularmente, José Serra.

Se fosse dirigente da campanha oposicionista já teria mandado para o olho da rua os incompetentes que fazem o serviço de comunicação. Aposto que não serão capazes de sustentar um blog como este aqui que vocês estão lendo.

Apontei uma realidade importante. Mas há outra que deve ser analisada com cuidado pelos eleitores muitas vezes contaminados pelo "já ganhou".

Temos exemplos recentes aqui na América Latina no Chile e na Colômbia. No primeiro, a ex-presidente socialista Michele Bachelet tinha um apoio ao redor de 80% dos chilenos, mas o seus candidato foi derrotado pela oposição. Já na Colômbia os institutos de pesquisa até a véspera da eleição apontavam Antanas Mockus com reais condições de vencer Juan Santos, o candidato de Uribe. As informações dos institutos de pesquisa eram reproduzidos e turbinados pelos comentaristas políticos da grande imprensa latino-americana e pelas agência noticiosas internacionais à farta. Quem como eu acompanha diariamente o noticiário internacional pôde atestar isso (sou obrigado a acentuar o verbo contrariamente ao que preconiza estupidez da reforma ortográfica). O resultado foi uma vitória estrondosa de Juan Santos, com quase 70% dos votos.

Há alguns fatores que devem ser levados em consideração pelos eleitores: pesquisa não ganha eleição, como também não ganha o "derrotismo"; por outro lado, também o "já ganhou" tem demonstrado ser um péssimo marketing político. Da mesma forma que o "derrotismo", o "já ganhou" também desmobiliza qualquer campanha.

Portanto, a oportunidade de vencer o pleito continua francamente aberta para a Oposição. O jogo sequer foi jogado e é no mínimo temerário arriscar neste momento um palpite seguro. A história ensina que sempre foi mais fácil para a Oposição render um governo que já contabiliza dois mandatos. Há, de forma inegável, um desgaste, mesmo que seu titular exiba um vistoso índice de popularidade. Esta, no entanto, é um patrimônio de seu detentor e por osmose é que não será transferida a outrem.

Isto não quer dizer que a direção da campanha da Oposição não deva fazer correções, principalmente no que tange à sua área de comunicação que está comendo mosca e se acovardando ante a tropa de assalto do PT que domina vergonhosamente e pauta todas as redações da grande imprensa nacional.

Os leitores, telespectadores e radiouvintes têm de ficar ligados e saber interpretar de forma correta e correspondente à verdade dos fatos tudo aquilo que é veiculado.

A corrida presidencial ainda não logrou nem a metade do seu trajeto. Selecionem melhor tudo aquilo que vocês lêem, ouvem e vêem. Se for o caso, apliquem um off. A internet ainda é o melhor caminho, desde que bem utilizada, para saber a verdade dos fatos.

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