terça-feira, 14 de setembro de 2010

Castelo d’água.

Algo está seriamente errado no reino do Serviço Municipal Autônomo de Água e Esgoto (Semae) de Rio Preto. Encastelado, o superintendente Antônio Carlos Ranzani sente-se em um mundo à parte. Faz o que quer e decide, por critérios próprios e no mínimo duvidosos, quando e em quais circunstâncias falar com a imprensa. Às favas com a transparência, premissa que deve nortear as ações de todo ocupante de cargo público. Viagem de técnicos para Alemanha custeada por empresa vencedora de licitação, regada a queijos e vinhos? Explicações minguadas, escamoteadas e só respondidas à toque de caixa após o Diário escancarar os bastidores da excursão por solo europeu. Demora de 80 dias na execução de serviços de ligação de água e esgoto? Ranzani, claro, não quis se manifestar. Fez ouvidos moucos para uma contribuinte do bairro Floresta Park, no extremo da zona norte, que espera desde 23 de junho pela realização do serviço. Com o “bolo” levado da autarquia, a moradora precisa contar com a solidariedade de vizinhos para conseguir um pouco de água e preservar a rotina doméstica.

Alvo de preocupação de homens públicos que deixaram sua marca na administração rio-pretense, como Philadelpho Gouveia Neto, Bady Bassitt e Alberto Andaló, o setor responsável pelo abastecimento do município vive um momento que já deveria ter sido superado há tempos: quando o silêncio falava mais alto que as necessárias explicações à população. O superintendente não sabe lidar com os ritos que o cargo exige. Comete equívoco recorrente de coronéis que se acham superiores a tudo e a todos. Esse tipo de conduta não é ruim apenas para imprensa, impedida de publicar o que pensa o principal representante da autarquia sobre assuntos relevantes para o município. É ruim sobretudo para a sociedade, privada de conhecer melhor os rumos de uma das áreas vitais para o desenvolvimento de qualquer núcleo urbano. Privada de saber como o município se prepara, por exemplo, para um futuro não muito distante em que as reservas de água tendem ao gradual desaparecimento. Até quando essa situação permanecerá, ninguém sabe. Mas seria de bom alvitre que o senhor do castelo d’água não demorasse a repensar suas atitudes. 

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