quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Escândalo do Samu - Editorial Diário da Região.

A morte do vendedor Carlos Ferreira da Silva, 51 anos, causada por infarto agudo do miocárdio após uma hora e meia de espera por uma UTI Móvel, merece uma investigação séria e profunda de todos os órgãos envolvidos. Tão revoltante quanto o atraso é o tapa que o médico Rodrigo Silvestre, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), irritado por ter sido questionado sobre a demora, deu no rosto do plantonista João Carlos de Mauro Filho, enquanto ele estaria prestando atendimento ao paciente que agonizava na maca da unidade. Familiares do paciente tiveram de invadir a sala de emergência para apartar os médicos engalfinhados. A agressão levou o plantonista Mauro Filho a chamar a Polícia Militar para registrar queixa da lesão corporal dolosa e preservação de direitos.

Inaceitável que um profissional de saúde em Rio Preto seja tão desequilibrado a ponto de partir para pancadaria dentro de um pronto-socorro por não aceitar questionamento. Ainda mais quando esse mesmo médico é também um policial militar, que tem como juramento de carreira e missão proteger o cidadão. Acertou o secretário municipal da Saúde, José Victor Maniglia, ao decidir pela demissão sumária do médico agressor, antes mesmo de ouvir sua versão para os fatos. Nada justificativa atitudes bestiais como essa, que ganhou repercussão nacional. A demora na chegada do socorro é outro detalhe que precisa ser rigorosamente investigado e corrigido para que outros pacientes não venham a morrer à espera do atendimento. Familiares afirmam que o atraso foi de cerca de uma hora e meia, informação contestada pelo médico do Samu. Silvestre disse ontem à Polícia Civil que recebeu o chamado à 0h45 e que a primeira viatura chegou ao pronto-socorro à 1h15. Já a UTI Móvel, necessária para atender o paciente, teria encostado à 1h30.

Ainda que Silvestre esteja falando a verdade, houve aí uma demora de 45 minutos, tempo razoável para comprometer a vida do paciente num caso como esse. Qual o motivo dessa demora num horário em que não há sequer trânsito na cidade? Estaria a equipe dormindo quando recebeu o chamado, assistindo à TV ou entretida em algum outro lazer? O vendedor teria morrido se tivesse recebido atendimento imediato? Que as investigações respondam essas questões e que as conclusões sejam amplamente divulgadas. A família da vítima e a população de Rio Preto merecem uma resposta. E, se for apurada qualquer negligência, que os autores sejam exemplarmente punidos. 
 
 
Comentário: Casos como este nos deixam apreensivos, pois pessoas que deveriam estar salvando vidas, descontam seus problemas ou frustrações talvez em quem não tem nada com isto. Esperamos realmente que punições exemplares sejam aplicadas, pois fatos como este não devem se repetir.

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