sábado, 18 de dezembro de 2010

Vox populi

Paulo Pauléra (PP) parece não ter medo da máxima “dormiu presidente, acordou vereador”, que costuma ser implacável com parlamentares que cantam vitória antes da hora. Em entrevista ao Diário, na última quinta-feira, ele afirmou que já se considera presidente da Câmara de Rio Preto - a eleição só será no próximo dia 21 - e até adiantou algumas nomeações. Mais do que isso, garantiu que vai levar à votação projetos polêmicos como o que aumenta o número de parlamentares de 17 para 23 e um possível reajuste salarial para os vereadores. Está claro que a defesa do aumento de cadeiras e do subsídio parlamentar entrou como moeda de troca na eleição para presidente da Câmara. Os demais vereadores só fechariam com alguém que tivesse coragem de levar adiante questões que são caras a eles. Pauléra, como presidente, vai dar a cara a tapa - e certamente pagará um preço político por isso.

A julgar que o vereador do PP, que tem como padrinho político o deputado federal Vadão Gomes (PP), vai mesmo assumir a presidência da Câmara de Rio Preto a partir de janeiro de 2011, é importante que se porte não como representante dos interesses de meia dúzia de vereadores, mas como legítimo representante do povo. São pouquíssimos os presidentes de Legislativo que realmente têm noção do seu papel. Preocupam-se em atender interesses corporativistas e se esquecem que sua obrigação maior é colocar o Poder Legislativo a serviço da população. Desde que era secretário do ex-prefeito Edinho Araújo (PMDB) e depois com Valdomiro Lopes (PSB), Pauléra se notabilizou por tentar passar a imagem do amigão popular. Até o número do seu telefone celular ele anunciou na TV para que “os cidadãos possam falar comigo”. Pois bem. Chegou a hora de o futuro presidente da Câmara mostrar que não é tudo encenação e firula e que ele verdadeiramente se importa com a opinião pública.

Se ele pensa mesmo em colocar em votação o aumento dos parlamentares e dos salários dos vereadores, que convoque audiência pública para debater o assunto. É uma ótima maneira de ouvir diretamente a população sobre dois assuntos polêmicos que não podem ser debatidos - e resolvidos - de forma sub-reptícia nos porões da Câmara. Se quiser ser arrojado de verdade, Pauléra pode ainda propor um plebiscito. Aí sim seriam dirimidas quaisquer dúvidas sobre os dois assuntos. O vereador do PP não pode nunca perder de vista que ele será um ordenador de despesas que, provisoriamente, cuida do dinheiro do povo. Caso leve adiante a promessa de elevar seis cadeiras e o subsídio dos vereadores dos atuais R$ 4,8 mil para R$ 8 mil, criará uma despesa a mais de - segure-se nas cadeiras - R$ 7,4 milhões no próximo mandato. E isso somente em salários de vereadores e assessores. O mínimo que o futuro presidente da Câmara deve fazer é consultar a população. É ela quem deve decidir se vai arcar com o custo-benefício dos aumentos. Se ignorar a voz do cidadão, são boas as chances de Pauléra ter cassado nas urnas o direito de continuar representando a população rio-pretense. 

Fonte: Diario Web 
Comentário: Será que algum vereador teria coragem de fazer uma consulta pública e aceitar discutir com a população os seus interesses ? Eu duvido que façam isto. Mas com certeza seria um ato digno que mudaria em muito o que penso da atual legislatura.

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