sábado, 8 de janeiro de 2011

Tal pai, tal filho: ambos não gostam da imprensa.

Quando ainda era presidente do Brasil, o ex- Lula da Silva nunca escondeu sua preocupação com o excesso de liberdade de imprensa. Não apenas ele, mas seu assessor para o assunto, secretário de Comunicação Social, Franklin Martins. Até o atual ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, logo depois de escolhido para o novo cargo, saiu se engraçando com o tal de controle da mídia, embora hoje (7) tenha emergido com outra versão, mais próxima daquele discurso de posse da presidente Dilma, que o único controle da mídia é o controle remoto.
Enquanto no poder, quando perguntado sobre o controle do conteúdo da mídia, o ex Lula da Silva, naquele seu típico e característico jeitão de pseudo-ditador camuflado de democrata, dizia que ‘não, nada disso, isso não existe’, e tinha em Zé Dirceu, outro baluarte da democracia, seu grande defensor, que chegou a dizer que o Brasil vivia um excesso de liberdade (como se isso fosse possível), dando entender que, por ser excessiva, ela precisava diminuir.  
Ainda que meio desconfiados, os que prezam pela liberdade faziam uma força danada para acreditar que o ex- estava falando sério, mesmo quando ele exagerou em  seu tique-tique nervoso’, lá em Santa Catarina, durante uma palanqueira pedindo votos para Ideli Salvatti, e se declarou favorável pela extirpação do DEM da política nacional. Uma declaração desastrosa, que ajudou, e muito, na derrota da petista Ideli, hoje reconhecida como a defensora da presença feminina nas pescarias de fim de semana.
Pouco antes de deixar o cargo, já no mês de Dezembro, o ex-presidente, por meio do ex-ministro Franklin Martins (Comunicação Social), finalizou o anteprojeto da Lei Geral de Telecomunicações e passou a discussão para o novo governo. Dilma assumiu e pouco se falou sobre o assunto, até a explosão da bomba dos passaportes diplomáticos, que acabou deixando cheiro de censura contra a mídia no ar. E ele veio do filho adotivo de Lula, Marcos Lula da Silva, um cidadão crescidinho, com quase 40 anos, privilegiado com o documento expedido pelo ministério das Relações Exteriores no finalzinho do governo do papai.
A reação de desagravo, vinda daquela parcela da população que não votou em Dilma e que já estava de saco cheio com as férias em Guarujá, assustou a família de veranistas, que insistia em viver como se ainda estivesse no poder, uma vez que tinha como sustentação os 83% de popularidade do chefe da casa. Tanto a família como seus ex-assessores exageraram ao subestimarem a inteligência dessa parcela ‘do contra’ e caíram do cavalo. No chão, ainda atordoados pela queda, se viram acuados ao constatarem que aprovar governos não significa aprovar falcatruas e isso forçou o pernóstico Nélson Jobim vir a público explicar sobre as férias no Guarujá. O Amorim, que autorizou a emissão dos passaportes diplomáticos, ainda não apareceu para explicar, até porque está sem argumentos e deve estar escondido, provavelmente debaixo da cama, se sentindo nu sem a proteção do Grande Metaleiro. Em seu lugar, quem tentou se explicar, de forma arrogante, como lhe é peculiar, foi o ‘Top Top Garcia’, secretário das relações internacionais, dizendo que tudo era uma irrelevância que satisfaz os 4% que ‘odeiam’ o ex-ainda-chefe. Garcia também acha irrelevante ser parceiro comercial dos EUA. Ele prefere Cuba ou o Iran, muito mais ricos e poderosos.
De todas as manifestações, a que mais chamou atenção foi a do Marcos Lula. Patriótico, Marcos prometeu que, um dia, devolverá o passaporte e não sabe porque deram o documento a ele, uma vez que só viaja para o Paraguai e Argentina, sem dizer prá qual região daqueles países. Se presume que seja para Cidade de Leste, paraíso dos sacoleiros, contrabandistas e, segundo os EUA, centro ativo do terrorismo internacional.
Outro fato que chamou atenção nas declarações de Marcos, foi quando criticou o jornal Folha de São Paulo, por ter denunciado a farra dos passaportes, e jogou o periódico dentro daquele tal de PIG – Partido da Imprensa Golpista, um grupo de jornais, rádios e TV’s que pretendiam dar o golpe no ‘governo democrático’ do ‘papy’. Marcos também afirmou que os leitores do FDS são ‘jumentinhos’. Declarações que deixa claro seu apoio ao papai ex-presidente, que vivia se queixando do excesso de liberdade de imprensa e que, mesmo estando fora do poder, não deixou de se preocupar com o assunto. Afinal, os filhos repetem aquilo que ouvem em casa.
PS – Ao classificar os leitores da Folha como ‘jumentinhos’, o filho do ex- disse o que pensa dos leitores do jornal, entre os quais ele próprio, que confessou acessar o site Folha Poder, e milhões de petistas que fazem o mesmo. O pai talvez não, pois até onde se sabe. Lula  não gosta ou não sabe ler.
Por Luiz AM Wood

Fonte: Olho na Mira

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