sábado, 30 de abril de 2011

Nobreza zero - Editorial Diário da Região.

Não há nada a se orgulhar da decisão dos quatro membros da Mesa Diretora da Câmara de Rio Preto, que renunciaram em protesto ao “reinado” do presidente Oscarzinho Pimentel (PPS). Num aparente gesto de nobreza, Carlão dos Santos (PTB), Manoel Conceição (PPS), Maurin Ribeiro (PC do B) e Nelson Ohno (PSB) entregaram seus cargos alegando não compactuar com gastos excessivos promovidos por Oscarzinho, que se caracterizou pelo seu estilo peculiar de administrar a Câmara - com despesas em profusão, brincadeiras fora de hora e centralização. As alegações supostamente nobres do quarteto são cortina de fumaça e estão longe de representar a verdade. Os integrantes da Mesa Diretora tomaram a atitude correta pelo motivo errado. Mais do que o desgate político que Oscarzinho atraiu para si e seus companheiros, o que realmente levou à renúncia em massa estão acordos de bastidores não cumpridos. O principal deles foi a recusa do presidente em nomear apaniguados dos quatro em cargos de comissão estratégicos na Câmara. Oscarzinho quis ser egoísta. Achou que, depois de receber a coroa de presidente, não precisaria mais dar satisfação de nada a ninguém e colocou pessoas da sua confiança e relacionamento nos mais cobiçados postos de diretoria do Legislativo. Deu de ombros às reivindicações dos colegas. 
O resultado é que o presidente dividia com seus ex-companheiros de Mesa o ônus de sua excentricidade, mas não o bônus do poder. Do mesmo jeito que o chamado grupinho se articulou para colocar Oscarzinho no topo, movimentou-se para lhe puxar o tapete. Repita-se, por não terem seus interesses diretos atendidos. Vão-se os anéis, ficam os dedos. Ainda que Oscarzinho renuncie - o que parece pouco provável - e seja eleita uma nova Mesa Diretora, os que virão provavelmente vão continuar a olhar para os próprios umbigos. Nobre seria se os distintos parlamentares não mais se empenhassem em aprovar leis ilegais e nocivas para a coletividade, como as famigeradas inclusões de áreas no perímetro urbano, alterações aleatórias de zoneamento e regularização de obras e desdobros clandestinos. Não deixa de ser irônico: motivos não faltam para apear Oscarzinho da presidência da Câmara, tamanha a quantidade de trapalhada cometida em apenas quatro meses de reinado. Mas se recusar a nomear apaniguados dos companheiros, o que caracterizaria compra de votos na eleição da Mesa Diretora, não está entre eles.


E o termo ZERO, adotado pelo @vereanca para esta administração começa a se fortalecer. Infelizmente.

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