terça-feira, 7 de junho de 2011

CRAF - Projeto Pioneiro da Menino Jesus de Praga é destaque nacional

Justiça interna 49 viciados em agressão

“Não faço mais nada, consigo me controlar com minha ex-mulher. Se estou num lugar e surge alguma discussão, viro as costas, saio andando e deixo os outros falando sozinhos.” O relato é do entregador J.R.B., 27 anos, um dos 49 homens encaminhados pela Justiça de Rio Preto atendidos atualmente no Centro de Reeducação e Atendimento Familiar (Craf), uma espécie de centro de recuperação para homens viciados em violência doméstica. No total são 51 atendidos (dois encaminhados por outros serviços).

Durante o período mínimo de oito meses, eles recebem acompanhamento psicossocial, participando de reuniões em grupo com trocas de experiência e debates sobre temas como violência, papéis do homem e da mulher na sociedade e direitos humanos. Se necessário, também têm atendimento individualizado e são encaminhados para tratamento de álcool e drogas.

Assim como a maioria dos atendidos no Craf, J. perdeu a cabeça por causa do ciúme excessivo. “Eu não queria que ela saísse com as amigas. Tínhamos muitas brigas e numa delas acabei dando uns tapas no rosto dela.” O entregador chegou ao Craf no dia 13 de abril com um documento da Justiça nas mãos, depois de uma audiência no Fórum, em que aceitou a proposta do promotor de Justiça: ao invés de ser processado por infringir a Lei Maria da Penha, teve a suspensão condicional do processo, pelo período de dois anos. Em contrapartida, teria de frequentar o Craf, uma das condições para o benefício. Agora, J. revela que esses quase dois meses de acompanhamento já foram suficientes para mudar seu comportamento e a forma de ver o mundo.

Causa

“Fizemos uma reunião na Promotoria Criminal e achamos que era mais profilático esse acompanhamento do que o processo”, diz o promotor Antônio Ganacin Filho, secretário da área criminal do Ministério Público em Rio Preto. “O mais importante nesses casos é atacar a causa, e o processo pode acabar acirrando a briga familiar.” Inaugurado dia 7 de outubro passado, o centro começou a receber agressores encaminhados pela Justiça em novembro. Isso foi possível graças a uma parceria com o Ministério Público e Poder Judiciário. Administrado pela Cáritas Diocesana, o projeto também conta com a parceria da Secretaria Municipal da Mulher e Paróquia Menino Jesus de Praga.

“É uma garantia que não haverá impunidade. Quando o processo corre até o final, muitas mulheres acabam mudando de ideia e a própria vítima facilita a vida do acusado, gerando a absolvição”, diz o coordenador técnico do Craf, Aristides Pereira dos Santos, promotor aposentado e um dos idealizadores do projeto pela paróquia.
Hamilton Pavam
A assistente social Cléia da Cruz Lima durante atendimento semanal a um agressor, no Craf
Reincidente não tem direito

A suspensão condicional do processo é aplicada apenas quando o agressor é réu primário e tem bons antecedentes. Autores de agressões reiteradas não têm direito ao benefício. Mensalmente, os agressores atendidos no Craf também têm de se apresentar à Justiça. A cada dois meses, o Poder Judiciário recebe relatórios das atividades desenvolvidas com o agressor no Craf. “É um trabalho pioneiro. Além de Rio Preto, temos conhecimento que apenas Fortaleza tem esse serviço estruturado”, diz a secretária municipal da Mulher, Regina Chueire.

Se, durante o acompanhamento, o agressor voltar a praticar violência doméstica, passa a responder na Justiça pelo crime que originou o atendimento e a um novo processo. As atividades em grupo no Craf são semanais, e três ausências consecutivas são caracterizadas como evasão. Casos assim são comunicados à Justiça, que pode revogar o benefício da suspensão e o processo começa a correr.

“Nosso trabalho é abrir o leque de possibilidades para uma situação que seria resolvida às vezes com violência. Fazemos o acompanhamento sociopsicológico para que o agressor reflita e enxergue outras possibilidades de reação”, explica a Anne Cardoso da Cunha, psicóloga do Craf. No final do mês, seis homens, de um grupo de oito, serão liberados do atendimento depois de oito meses de acompanhamento.

Outros dois ainda não tiveram a mudança necessária e permanecerão no serviço. “É nítida a mudança no comportamento daqueles que estão para sair. Quando chegam, o machismo é muito grande.” Todos os casos só chegaram ao conhecimento da Justiça porque as vítimas fizeram representação formal contra o agressor na delegacia, condição necessária para a abertura de inquérito, conforme a lei Maria da Penha.

FONTE: Diário Web 
O CRAF, será esta semana tema do programa Profissão Repórter da REDE GLOBO.

2 comentários:

  1. Que trabalho maravilhoso do Ministério Público, Poder Judiciário, Cáritas Diocesana,Secretaria Municipal da Mulher e Paróquia Menino Jesus de Praga
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    São ações como estas que contribuem para que o cidadão (ã) de bem, continue pagando seus impostos municipais, estaduais e federais
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    Além do amor, solidariedade e altruísmo por parte daqueles que colocam a 'mão na massa', como o caso do técnico do Sr Dr Aristides Pereira dos Santos, promotor aposentado e um dos idealizadores do projeto pela paróquia.
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    Não o conheço, mas parabens, o Sr é um exemplo para todos nós
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    Ao blog, confesso que mesmo sendo um leitor voraz, eu desconhecia este trabalho do Craf
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    Mais uma vez parabens por publicar e multiplicar esta ação maravilhosa
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    Deixei um comentário agradecendo seu blog lá no Diário web, se eles aprovarem vai estar lá
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    http://www.diariodaregiao.com.br/novoportal/Opiniao/Editorial/63690,,Licao+aos+agressores.aspx

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  2. Ontem foi ao ar a reportagem do Profissão Repórter, sobre Agressões a Mulheres, onde foi mostrado também o trabalho pioneiro do CRAF, mais uma vez parabéns a todos, pelo sucesso.

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