quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Alta traição

Oscarzinho Pimentel (PPS), Emanuel Tauyr (DEM), Márcio Sansão (DEM), Jabis Busqueti (PTB), Tadeu de Lima (PSDB), Nelson Ohno (PPS), Manoel Conceição (PPS), Gerson Furquim (PP) e Walter Farath (PR): estes nove senhores estão por trás de duas das maiores perfídias cometidas pela Câmara contra a população rio-pretense. Protocolaram à socapa, cheios de embuste, projetos que elevam de 17 para 23 o número de cadeiras no Legislativo e aumentam em 75% os salários dos vereadores a partir de janeiro 2013. O ato de traição perpetrado pelas nobilíssimas excelências tem raro paralelo na história política do município. Exerceram a arte de dissimular com maestria: nos últimos meses, eles anunciaram reajustes, voltaram atrás, garantiram aumento nas cadeiras, recuaram e deram o assunto por encerrado. Enquanto encenavam para opinião pública, nos porões da Câmara armavam um golpe que, no final das contas, fere de morte a reputação e a credibilidade de cada um deles. Neste cenário sombrio, merece destaque a figura do presidente da Câmara de Rio Preto, Oscarzinho Pimentel (PPS). Partiu dele, no início do mês, a iniciativa de consultar a sociedade sobre um possível aumento salarial dos vereadores. Visitou clubes de serviço, entidades de classe, entidades religiosas, associações de bairro e redações de jornais. Garantiu a todos que, se saísse o reajuste, seria com base na inflação - de R$ 4,8 mil para R$ 5,8 mil. O projeto assinado por ele, porém, é um soco na boca do estômago do contribuinte: R$ 8,4 mil, que representa aumento de 75%. 


Oscarzinho deveria sentir vergonha de si mesmo. Arquitetou uma quixotada contra todos aqueles que, de boa-fé, participaram das reuniões. Uma traição ímpar, que o coloca, sem sombra de dúvida, no seleto rol dos piores presidentes da Câmara de Rio Preto de todos os tempos. A Mesa Diretora composta por suplentes seguiu o mestre e assinou o reajuste salarial. Isso após terem assumido o comando do Legislativo com o discurso de “moralizadores”. Melhor seria se, em vez de tomar parte da presepada toda, tivessem todos eles ficado em casa. Em menos de um ano, com o retorno dos titulares, os quatro suplentes estarão todos fora do Legislativo - quiçá, para não mais voltarem. Se o aumento salarial já é pornográfico, tão ou mais ofensiva é a proposta apresentada por seis vereadores - dois da Mesa Diretora, aliás - que aumenta para 23 o número de parlamentares. Em apenas um mandato, os novos vereadores e os novos salários vão custar fabulosos R$ 7,7 milhões a mais para o rio-pretense. Parece até pegadinha de tão absurdo que é o valor, mas infelizmente é o nível dos representantes eleitos pelo povo. É impensável que homens com atuação destacada na sociedade rio-pretense nos mais diversos setores - comerciais, empresariais, esportivos, etc - tenham se prestado ao favor de manchar indelevelmente suas biografias. É ridiculamente inacreditável que aceitem entrar para um dos capítulos mais negativos da história política do município por tão pouco. Consciente da sua missão democrática de informar, este Diário não se furtará de lembrar o eleitor constantemente, até outubro de 2012 (mês das eleições), o nome dos nove vereadores que assinaram esses projetos nocivos que atropelaram a opinião pública. Também ganharão destaque negativo os parlamentares que, desavisadamente, votarem a favor dessas aberrações nos próximos dias. Serão lembrados como exemplos de homens públicos que não dão a mínima para o cidadão. De representantes que não estão à altura dos cargos que ocupam. O Diário cumprirá à risca seu dever de bem informar o seu leitor. O resto será nas urnas é com você, eleitor.     



Fonte: Diário da Região 

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