quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Pito do patrão

A pressão popular não foi suficiente. Foi preciso um pito do prefeito Valdomiro Lopes (PSB), conforme o Diário publicou ontem com exclusividade, para que os vereadores aliados desistissem do projeto que criava mais seis vagas na Câmara de Rio Preto. A lógica do Executivo - explicitada nas conversas do chefe de gabinete, Alex Carvalho, com os vereadores - era de que o último projeto remanescente do “Pacotão de Horrores” estava prejudicando não só a imagem da Câmara, mas do prefeito por tabela. Ordem dada, ordem cumprida. Poucos minutos após o esfrega dado por Alex, cinco dos seis vereadores que haviam assinado o aumento de cadeiras mandaram a proposta para o arquivo. Com isso, dos quatro projetos que formavam o “pacotão” - contratação de 230 apadrinhados, reajuste salarial para o prefeito, reajuste salarial para os vereadores e novas vagas na Câmara -, apenas um prosperou. Mais uma vez, o Legislativo age da maneira correta pelos motivos errados. Não há argumento razoável que justifique o aumento de cadeiras na Câmara. Tirando políticos e pré-candidatos a vereador, ninguém apoia esse aumento, e por um motivo muito simples: o custo-benefício de novos parlamentares não compensa. Os 17 que aí estão têm totais condições de representar a população rio-pretense - o que não significa, claro, que eles têm cumprido sem papel. Dizer que cinco ou seis vereadores trarão maior representatividade a uma população de 406 mil habitantes é debilidade argumentativa. Puro rococó retórico. 


Voltando ao comportamento dos vereadores, era de se esperar que, após o show de cidadania estrelado pela população nas últimas sessões, eles viessem a público comunicar que o projeto de aumento de cadeiras não tinha condição alguma de prosperar - afinal, os verdadeiros patrões da Câmara haviam se posicionado contra a proposta. Mas não foi isso o que ocorreu. O recuo não foi um resposta honesta à manifestação popular, mas a uma exigência feita pelo prefeito que, teoricamente, não deveria interferir em um assunto que diz respeito ao funcionamento orgânico do Legislativo. O próprio Valdomiro, aliás, está mais preocupado com o desgaste que o tema pode trazer do que com a configuração da Câmara em si. Não há novidade na subserviência dos vereadores às vontades do Executivo - uma submissão que, diga-se de passagem, vem de outras administrações. A rejeição de três dos quatro projetos do “pacotão” foi uma conquista popular, sem dúvida. Melhor seria se o arquivamento das propostas fosse fruto de amadurecimento político da Câmara, e não de uma determinação da Prefeitura. Resgatar a harmonia e a independência entre os poderes, conforme prevê a Constituição, seria um belo presente do Legislativo para compensar o “Pacotão de Horrores” de triste memória. 

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